"É melhor ser alegre do que triste, alegria é a melhor coisa que existe!"

quarta-feira, abril 23, 2008

O Barquinho na Praça

Bossa Nova completando 50 anos, em 2008. Alguns shows estão sendo feitos pelo Brasil, quinta passada mesmo, Carlos Lira esteve no Teatro do Sesi cantando os sucessos.
Engraçado, de toda turma da bossa, o Lira e o que chama menos a minha atenção. Gosto mesmo das musicas e letras de Tom e Vinícius. Lobo bobo, por exemplo, acho chatíssima. Mas enfim, ele também e um representante da bossa, musica que veio para inovar.
Acho bom que a bossa esteja presente hoje, mesmo que em releituras, pois esta e uma musica leve, apolica ate no seu inicio, mas e uma musica que fala de amor, da natureza, que retrata a classe media do Rio de Janeiro sim, daquela década, mas que foi e e ouvida pelo mundo todo, chamando atenção por sua qualidade.

Qualidade que não consigo encontrar nas musicas que meu irmão esta agora mesmo, aqui no quarto ao lado, escutando, o funk! E aquela mesma batida em todas as musicas, aquelas letras praticamente iguais, fazendo apologia ao crime, as drogas. Há algumas que não fazem isso, mas muitas, destas chamadas de proibidas estão na internet para quem quiser baixar. Cantores que berram, no mesmo ritmo em todas as musicas, palavras que se repetem, que elogiam o que e ilegal, se e que há algo ilegal hoje em dia... Não e só na periferia do Rio de Janeiro que se escuta essas musicas, elas estão em todo lugar, no mundo inteiro ate... Em Londres estão misturando funk e rock e atingindo sucesso. Não tenho nada contra o ritmo, mas me preocupo com a apologia feita nas letras e da forma que estas influenciam os jovens.

Muitos adolescentes, dos bairros mais pobres, da zona sul da cidade, quem sabe ate da zona norte, não sei, estão vivendo esta cultura do funk, formando bondes, pichando muros, fotografando dinheiro, pichacoes e armas e publicando em sites como o orkut e o you tube. Mostram as fotos e os vídeos como troféus. Alguns destes jovens já morreram, levaram tiros de bondes adversários. A violência que hoje preocupa o RJ começou mais ou menos assim - nos bailes funks produzidos pelos traficantes, com muita droga liberada. Em Porto Alegre, a ultima moda são os bailes, nas comunidades, mas, também, no asfalto, para usar os termos correntes desta cultura. Não sei se aqui e como lá, não freqüentei, nem pretendo. Não conheço quem freqüente também, mas me preocupo que a situação seja parecida.

Tenho ouvido e lido ate na Zero Hora, historias de adolescentes, que ao invés de aproveitar suas vidas, estão morrendo por se envolverem nestas brigas de bondes. Será que esta e a liberdade que eles buscam, carregar armas, usar drogas e pichar muros, que vida e esta?

Enquanto tudo isso acontece, com o funk tocando ao lado e por todos os cantos, eu presenciei uma cantora ontem, em plena Praça da Alfândega, cantando O Barquinho, acompanhada de um rapaz que tocava muito bem seu violão. Ninguém parou para assisti-la, os jovens presentes, quem sabe, nem sequer conheciam aquela canção, os mais velhos, talvez, estivessem apressados demais para ouvi-la. Eu não parei também, mas continuei minha caminhada querendo ouvir mais aquela musica e a cantora tão afinada, não fosse o compromisso marcado, ficava. Mesmo assim, foi uma grata surpresa, naquele final de tarde, no meio do centro de Porto Alegre, uma celebração a Bossa Nova, um presente aos ouvidos de quem passava, o Barquinho deslizava pela Andradas.

5 comentários:

Sean Hagen disse...

*



cada época tem sua marca.
e o que fica dela é essência.
muita porcaria se fez com o nome de bossa nova também.
e muita se faz dizendo que é funk.
dá dez anos e vamos ver o que fica de tudo isso.

mas sempre é mais fácil separar o joio do trigo depois que já passou.
o difícil é priorizar a qualidade quando o barquinho ainda tá deslizando.




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Rosamaria disse...

sobre a música o Sean falou o que eu penso. o pior acho que é a violência, que está cada vez pior, tudo começou com as drogas e não sei onde vai parar. Me preocupo demais com as próximas gerações.
bjim.

Arnaldo disse...

Sou fanático por bossa nova e tenho uma convicção muito forte que, se não tivesse ela existido, não teríamos Chico Buarque, Caetano Veloso, nem Edu Lobo. Não como são hoje.

Sobre o Carlos Lyra, acho suas músicas muito importantes, mas ele é um chato de galocha. Se der pra ouví-lo cantar, sem ter que ouví-lo falar, é sempre preferível assim. É carlos Lyra, entretanto, quem produziu o que há de menos alienante na Bossa Nova. Os únicos exemplares mais politizados entre as obras desse movimento, vieram dele.

Ederson Nunes disse...

ah, todo dia o violonista e a cantora se apresentam ali na praça. às vezes enche de gente olhando, às vezes não. Ele é uruguaio e toca violão pra cacete. Ela canta bem, mas o fato de ficar sempre repetindo músicas com 50 anos de idade me impediu de comprar o cd deles.

Ana disse...

Bahh! No centro de PoA já tem uma praia! Precisava mesmo de um barquinho, pra completar a paisagem!

Gosto deste teu jeito de contar, de descrever!