Pular para o conteúdo principal

Postagens

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua Fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Perdição da vida minha! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha. Fases que vão e que vêm, no secreto calendário que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso. E roda a melancolia seu interminável fuso! Não me encontro com ninguém (tenho fases, como a lua...) No dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro desapareceu... Cecília Meireles Gostaria de ter escrito esta poesia. Porque é m inha preferida, porque me descreve bem. Tinha 13 a primeira vez que li. Sigo relendo. Eu e minhas intermináveis fases. Não que sejam muitas, são fases que se alternam: que vão e que vem. num secreto calendário, inventando não sei bem por quem. Fases de andar escondida. Fases de ir para a rua. Fases de ser sozinha, ser de ninguém. Fases de ser tua, mas neste dia, não é seu dia de ser meu. E assim, não me encontro com ninguém. quando chega neste dia, o o...

comemorações

O aroma de canela tomou conta do ambiente e aqueceu nossa tarde de domingo. São os meses de maio e junho que concentram os dias festivos. As muitas datas de aniversário tem conseguido reunir praticamente toda família. É muito bom rever todos comemorando juntos novamente. Nestes dias, colocamos a conversa em dia. Acompanhados de mesa farta e do chá de canela. “Receita da família”, que agora preparo. Quando há tempo, preparo os doces e salgados. Mas o tempo tem faltado, quase sempre. Nos últimos anos, o gasto entre as pilhas de livros. Preparo muito menos “quitutes" do que gostaria. Tenho gosto pela cozinha. Gosto dos aromas e temperos. Me sinto “meio bruxa” e gosto. Herança de minhas avós. A paterna me deixou receitas de bolos doces e salgados, entre tantas grandes recordações. O domingo tinha sabor do seu bolo que reunia todos ao redor da mesa. A materna, anda longe da cozinha, mas me passou suas receitas: um feijão, conhecido por maravilha, sonhos assados, molhos e massas italian...

quintanares II

"Sempre que chove Tudo faz tanto tempo..." "...Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação..." "Não desças os degraus do sonho Para não despertar os monstros. Não subas aos sótãos - onde Os deuses, por trás das suas máscaras, Ocultam o próprio enigma. Não desças, não subas, fica. O mistério está é na tua vida! E é um sonho louco este nosso mundo..."

fotógrafos literários

Li ontem que o J.R. Duran escreve cartas para ele mesmo, em suas viagens. Interessante, eu as vezes me escrevo emails, mas nada demais, só pra enviar arquivos. O que eu escreveria para mim mesma? Se eu viajasse como J. R. Duran, talvez tivesse mais coisas pra me contar... Pois o J.R. Duran já escreveu muitas cartas, ainda não abriu nenhuma, quem sabe um dia abra e transforme em mais um livro. Ele está lançando seu segundo romance, taí, não sabia também que ele escrevia. Conhecia suas fotos, só. Que são muito boas. Na reportagem o jornalista disse que J.R. Duran fotografa com olhar literário. Poucos são os fotógrafos com olhar literário, pensei assim que li. É preciso ter um olhar que capture além do que está ali na frente, é preciso apresentar a pessoa ou objeto fotografado com outro olhar, olhar literário, eu acho. Realmente não é para todos. O Ederson tem este dom. Fotografa e escreve muito bem. Talvez, ele tenha este olhar literal, porque escreve muito bem. É um dom.

Inspiração

As lembranças estão por toda parte, assim como as palavras que penso em te dizer e calo. Já escrevi e rasguei cartas agora, digito e deleto palavras em busca daquela que expresse o que sinto por você. Me prometi te esquecer mas só me esforço em te ter. Cuido de cada palavra que vou te escrever... só de olhar teus olhos me esqueço que é melhor te esquecer. Por quanto tempo ainda terei forças de sonhar em um dia te ter ?

olhos nos olhos

Observava ontem os olhos cansados de toda aquela gente no ônibus. Pensava no gosto que tenho por olhos e olhares. Porque será que os olhos chamam tanto minha atenção, me interroguei por alguns segundos. Talvez porque desde pequena tenha aprendido a ler os de minha mãe e porque desde sempre nos entendemos assim, com o olhar. Ou, ainda, porque simplesmente gosto de prestar atenção nos olhos de todos. Porque acho que os olhos sempre dizem um pouco mais do que as palavras podem expressar. Deve ser algo relacionado ao funcionamento da minha memória, que sempre guarda os olhos das pessoas, deixando pra trás detalhes como roupa ou cabelo. Não sei. Pode ser por tudo isso e mais um pouco. Gosto simplesmente. Gosto de olhos que sorriem. Guardo alguns na lembrança. Velhos conhecidos, Poucos recentes.Todos conhecidos que marcaram. Uns que não posso mais ver, outros que vejo menos do que gostaria. Um ou dois pelos quais me apaixonei. U m que me deixa feliz só de ver. Alguns que não entendo, poucos...

Haikai

dia lindo, sol raiando na janela, a dúvida: pulo ou saio voando? Rafael Vecchio **** Haikai é um tipo de poema surgido no Japão. Conheci este tipo de poesia com Leminski. Nem tenho palavras para elogiar. Gosto muito, ele é genial. Estes dias conheci os haikais do Ricardo Silvestrin. Ele tem um site genial com suas poesias http://www.germinaliteratura.com.br/rsilvestrin.htm Além disso, tem um outro trabalho interessantíssimo: Os poETs, um grupo musical formado por ele e mais dois poetas, eles já lançaram um cd chamado Musica Legal com Letra Bacana, vale a pena conferir. E, neste semana, conheci o trabalho do Rafael Vecchio, que também escreve haikai. Tem dois livros publicados: Areias da Ampulheta e Considerações, Espelho. Já tinha lido e gostado muito deste haikai que publiquei aí em cima, no ônibus. Os haikais do Rafael foram selecionados nas últimas 3 edições do concurso Poemas no Ônibus, da prefeitura de Porto Alegre. Em breve estarão expostos no saguão da Escola de Administração ...